| Head VI by Francis Bacon |
Da problemática da aceitação
Dizer "sim" é a sua maior negação!
É dizer não a si mesmo, é a negação do próprio "eu".
O facebook é o grande show do "sim", ninguém escreve para si mesmo, e sim para ser aceito dentro de um conceito. Ninguém quer se expressar para expor ideia original ou para questionar e sim para concordar, auto-afirmar. Isto reforça a ilusão da personalidade original, inerente ou inata do ser, este novo "eu" cheio de novas idéias, novas manias, gírias e visual atualizados nos parece ser tão antigo e primitivo que pensamos já ter nascido com isso ou para isso.
E o que nos leva a ser assim tão cegamente alienados?
Não dizem os especialistas que estamos cada vez mais individualizados e individualizantes?
Na verdade estamos implicitamente marchando a passos mancos usando uns aos outros como bengalas emocionais. Não queremos buscar aquilo que nasce da vontade própria, pode ser bizarro, assustador, indecente, intolerado, rejeitado. Estamos à procura de esperança, conforto, sentido, inclusão e respostas, nunca formulando perguntas, mas sim esperando que outros respondam por nós. No final queremos balançar a cabeça e dar um sorriso e receber outro em resposta.
O obscuro, aquele nosso lado desconhecido, causa ansiedade. Ele tem voz própria e quanto mais tentamos suprimi-lo mais agudo ele grita, maior será a dor e o aperto. Este monstro chama-se Eu, o maior de todos os medos de meus contemporâneos semelhantes.
Das novas drogas
| Study for a portrait by Bacon |
Fala-se tanto em proibição e tráfico de drogas, mas não se percebe drogas básicas como internet, fast-food, tecnologia de ponta, carros, games, dinheiro, indústria fonográfica, indústria pornográfica e tudo o que possa estimular nosso cérebro a produzir venenosas doses de endorfina que, após oferecer-nos prazeres intensos de uma só vez, abandonar-nos-á em completos abismos de obscuridade e depressão. Ficamos desnorteados, tememos a morte, tememos não achar o norte. Coitados desesperados!
Da perdição
| Study for the head of a screaming pope by Bacon |
Este cenário apocalíptico pessoal é necessário para iniciarem os grandes e angustiantes questionamentos existenciais. Nada mais faz sentido e neste momento separam-se os fracos dos fortes quando, somente os fortes são capazes de enxergar suas fraquezas e insignificância perante ao mundo.
Do medo ao próximo
A ansiedade está muito bem acompanhada de depressão e pânico. Ao nos depararmos com esses "monstros" internos e termos formulado a imagem aterrorizante de nós mesmos passamos a projetá-la em nossos semelhantes e a partir daí passamos a temer o próprio "eu" de forma pública. Assumimos a desconfiança ao próximo, partimos do ódio para o amor, do preconceito ao conceito, do feio ao belo.
A verdade é que estamos sós e acreditamos viver em comunidade e criamos falsos Deuses para consolar nossa temerosa solidão e proteger-nos de chegar a nós mesmos, ao sublime, ao Ser psíquico integral.
Gostei muito do seu texto e partilho de algumas ideias nele descrito (não sei se são bem ideias, mas me identifico sendo ou não sendo).. Eu acredito que todos estamos (de uma maneira ou de outra) dopados, pois de qual outra forma poderíamos viver sabendo que não somos nada, não somos a coroa da criação, não fomos criados com um propósito, que não há nada após a morte, e a única chance de eternidade é se fizermos algo de relevante para humanidade (se é que esta ainda existe). Não existe nada além do vazio da existência.
ResponderExcluirdei uma editada no texto, ainda concordo com ele,mas hoje vejo que há um propósito sim.
ResponderExcluir"No início era o verbo..." Deus é o verbo, nós somos deuses, Zathustras, budas, dualidade luz e materia, somos universo.
No mais concordo em tudo ainda.