domingo, 22 de abril de 2012

desFoco


Algumas pessoas somente enxergam aquilo que está posto a sua frente sem que perceba sua cercania, desconhecem a visão periférica, desconhecem o outro. Mas estas mesmas têm uma dádiva a qual não me foi dada, a visão leiga e despreocupada.
Estes novos "cegos" têm nos olhos verdadeiros guias iluministas de seus desejos íntimos. Deixam que a simples projeção da imagem projete em si uma vontade superficial que nada mais é do que o comando de seus instintos, reagindo parassimpaticamente de forma objetiva à satisfação imediata.
Meus olhos são demônios pessoais, eles mentem, traem minha percepção, estão sempre sobrecarregados de dor, por isso pesam, caem, doem. Não têm vida nem vontade própria, são feras domadas por um sado masoquista que prefere sangrar até a morte do que desconhecer o sabor do sangue. 
Por isso sigo na defensiva mirando o chão, por isso vivo a periferia desfocada da minha visão.

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